Ok. O mundo me pressionou a re-atualizar esse blog, apenas para registrar um posicionamento meu e tirar esse peso da minha cabeça. Ignorem os erros de português pois é tarde e cuspirei pelos dedos nas linhas abaixo.
Tá tudo chato e sem personalidade poque cada um tá enquadrado no que acha que é ou no que quer ser. Parece que estou num grande RPG e todo mundo escolheu a classe que quer ser, mas ninguém pegou aquela classe chamada "custom". Basicamente, a classe custom permite você CRIAR uma classe de acordo com o que gostaria de ser, se especializar, agir e afins. É assim que estamos.
Eu tenho seguidores no Twitter e amigos no FB que são verdadeiros inimigos do BBB e não tenho muito apreciadores do esporte em questão. De qualquer modo, se opor ao programa popular da Globo não fará do Brasil um lugar melhor, não te tornará uma pessoa mais inteligente, não resolverá o problema precário de educação. Esse último é o responsável, de verdade e de grande relevância, pela falta de informação, iniciativa, oportunidade e tudo mais que algumas pessoas sofrem aqui. A educação básica tem que ser mudada, e isso é muito mais relevante que destruir o grande império do mal chamado Globo.
A Globo é uma empresa de comunicação que tem interesses próprios e faz várias coisas feias, muitas vezes deixando ética e qualquer outra força espiritualmente opositora de lado, fato. Mas isso não interessa. O que me espanta de verdade é ver pessoas com formações dignas de qualquer grande pensador falando pra mim que a Globo é como um câncer no Brasil e precisa ser eliminado. Me espanta muito porque quem está falando isso deveria trazer mais questões e dúvidas sobre o assunto, ao invés de um punhado de conclusões unilaterais como essa. Isso é lamentável e me faz socar o armário e, eventualmente, ferir minha mão.
Ótimo, falei do BBB e da Globo. Mas o texto não acabou, vamos a outra coisa que me incomoda:
O pessoal na internet está empolgado em se tornar uma coisa só. Existe o 9gag army que é formado pelas cabeças mais geniais da comédia, sarcásticas, irônicas e criativamente competentes, parabéns para eles. Existem também os nerds e geeks, fantásticos seres que o mundo descobriu como a verdadeira evolução da raça humana, e ai de quem se opor à eles. Pois vou me opor ao termo e ao ato de se denominar nerd e geek, vamos lá;
Procurem pelos meus perfis nas redes sociais e etc. Vejam se em ALGUM deles eu falo "sou nerd" em algum momento. Não, eu não falo. Por que? Será que me sinto superior? Não, porque eu, como um INDIVÍDUO, GOSTO de ser INDIVIDUALIZADO.
Vejo esses INFOGRÁFICOS de nerds vs geeks, especificando cada um deles. É como fazer uma comparação de cachorro quente e hamburguer. Só que as pessoas não são cachorro quente OU hamburguer, elas são uma coisa única - ou assim seria legal que fossem. Parece que há uma solidão instaurada em uma grande quantidade de pessoas que por algum tipo de distúrbio, se sentem não aceitas na sociedade e descobriram que existem outras milhões de pessoas na mesma situação. Falar que é nerd/geek e se classificar assim é, pra mim, uma tentativa desesperada só para ter a sensação de estar gritando o mesmo que outras, mesmo que o significado destes não seja o que elas pensam no fundo.
Dar like na fan page do Star Wars não te dará conteúdo para conversar numa mesa de bar, garotas vestirem as clássicas I LOVE NERDS encobrindo os peitos não terão nenhum significado real tampouco as farão parecer mais legais (pela minha ótica), colocar uma citação de uma frase do Game of Thrones ou Senhor dos Anéis no teu perfil do Facebook não mudará nada, de fato. E, acima de tudo, JOGAR VIDEOGAME É NORMAL. É APENAS a indústria do entretenimento que MAIS FATURA ANUALMENTE. Ou seja, você e FUZILHÕES DE OUTRAS PESSOAS fazem isso. O nome disso é CULTURA POP, E NÃO CULTURA NERD, CARALHOS.
Ufa. Eu cheguei num ponto de incômodo com essa frenética necessidade por se AUTO-AFIRMAR UM NERD que chego a preferir o velho e bom provérbio orkutesco "SOU O QUE SOU E NÃO O QUE DIZEM".
Pessoas, o que aconteceu com a individualidade de vocês? Por que os gostos de vocês não são contraditórios? Sério, não há problema algum em sair sexta-feira, beber a cara e olhar pela milésima vez o bluray do Blade Runner no sábado a noite. Apenas sejam vocês mesmos. Sejam felizes. Discordem de mim. Pensem. Conversem. Questionem. Mas, puta que pariu, não pensem que "NERD" significa algo além de uma palavra. Logo mais o status passa.
PS: não tenho nada contra o JOVEM NERD (aliás, escuto nerdcast, vejo nerdplay, nerdoffice e tudo mais, é muito bom) nem ninguém em particular, conheço MUITA GENTE que usa essa denominação e não estou criticando, apenas estou expondo minha opinião sobre se auto-entitular com algum termo. Se isso for muito difícil de absorver para vocês, permito me darem o título de MONSEV BABACA.
Um abraço e um beijo, queridos.
13 de janeiro de 2012
20 de fevereiro de 2011
Falando na internet. Sendo ouvido na internet. Zombies rules!
Estava conversando pela internet com um amigo muito paciente (valeu ae), e acabei tendo uma daquelas epifanias.
Ao escrever, reparei que costumo - com algumas pessoas que tem capacidade de corresponder de forma inteligente ao que expresso escrito - compartilhar sobre ideias que acabei de ter, mas muitas vezes nem mesmo sei como explicar elas. A escrita, a explicação propriamente dita para esses seres formados por água, carbono e paciência, então, acaba resultando numa conclusão que eu exponho lá (na conversa) mas que tirei exatamente naquela hora. Quero dizer, eu começo a obter sucesso em expor as ideias soltas na minha cachola em palavras, formando frases em que envio à eles (as pessoas) e às releio logo após enviar, para continuar minha explicação, tornando-a assim mais rica em detalhes e exemplos. Ou seja, eu evoluo a explicação daquela ideia que acaba se materializando e tomando forma para a pessoa na qual estou conversando SIMULTANEAMENTE à minha pessoa. Em outras palavras, eu acabo tendo a ideia formada e "coerente" dentro de meu próprio cérebro apenas alguns milisegundos (é milisegundos?) antes que a contraparte, tal qual estou fazendo nesse exato momento no post.
Amigos prestando atenção no que digo no MSN.
Ao me dar conta dessa questão exposta acima, fiquei completamente abismado com isso. De repente, os momentos que sentei no computador em frente ao Word com a própria internet desligada (para evitar distrações e vícios da constante busca por informação no Twitter e afins), que foram todos em vão, finalmente ganharam um PORQUE disso ocorrer: eu preciso estar expressando minha ideia para alguém. Devido aos meus queridos pais que me herdaram uma importante e gigantesca carga genética contendo o indicativo de que eu seria uma pessoa insuportavelmente ansiosa, essa ideia não pode ser passada para o papel (virtual, no caso) e então enviada por e-mail ou mostrada para alguém tipo uns dois dias depois, não. Tem de ser AGORA. Graças à isso, que ocorre o que acontece lá em cima: falo com alguém, de alguma forma, por mensagem instantânea. Ou às vezes tuíto quando a ideia cabe em 140 caracteres.
O grande negócio é que nem sempre na internet, falar significa ser "ouvido", tal qual como esse meu blog mais desatualizado que a sabedoria da sua bisavó em C++. Então, o que acontece é que eu não preciso necessariamente de uma criatura paciente ouvindo as besteiras que tenho a dizer, mas apenas ESTAR CONVENCIDO de que alguém lerá. Por mais que muitos tweets passem em branco pelos olhos de nossos followers - e todos sabemos disso - a ferramenta de, como diria a mídia generalizada; "microblog", acaba dando a doce ilusão pra todo mundo que alguém nos ouvirá quando precisarmos ofender o vizinho chato que faz obra de madrugada. O que nem sempre é suficiente para alguns, em todo caso.
Mas a escrota conclusão disso tudo é que eu não preciso estar exatamente falando com alguém para expor uma teoria, mas preciso sentir que serei ouvido, ou que corro o menor risco de isso acontecer - que é o que ocorre com esse blog aqui - seja por alguém entrar acidentalmente (muito provável), ou por checar diariamente sedento por publicações novas (duvido verdadeiramente).
A única coisa certa é: escrever no Word não funciona. A não ser que seja pra enviar daqui a 20 min para alguém no msn.
E sou só eu a sofrer disso? (foi mal por acabar o post em pergunta, sei que isso irrita, mas preciso saber).
Obrigado pelo tempo perdido comigo, e até mais.
19 de janeiro de 2011
Obra de Deus
Você chega em casa cansado do trabalho, ou já está em casa a bastante tempo cansado da vida. Liga a televisão, zappeia, se questiona "por que diabos ainda pago pra ter TV a cabo se tenho internet?", se lembra que ainda mora com a sua mãe e que ela gosta de chegar em casa e ver TV, ao contrário de você que fica sabendo tudo porque usa Twitter que nem um viciado em informação - afinal, é isso que você é.
Talvez a sua vida não seja exatamente assim, mas a minha é bem próxima disso. Essa introdução, no entanto, não chegará a lugar nenhum, mas vou destacar um dos pontos aí: o de quando você pára no canal de notícias (GlobocofNewscof) e vê imagens tão chocantes quanto naturais às suas retinas (foi mal ae, mas desastre de terra me faz pensar "pô que merda", mas não "MEU DEUS O QUE É ISSO OLHA LÁ"), e então após ver uma senhorinha pobre coitada que está em meio a uma casa sendo engolida pela lama, agarra seu cachorrinho preto, se segura numa corda jogada pelos vizinhos aptos à salvá-la, e devido à força da água, reflexo ou sei lá o que, larga o cachorrinho mas se salva e te deixa muito triste com a imagem do pobre bicho indo embora, aparece aquele depoimento clássico do brasileiro: "só pode ter sido Deus".
Após ouvir isso, meu cérebro me direciona ao quartinho de "culpados" que tenho lá dentro de minha consciência. "Deus", que está em lugar nenhum lá, é o novo sujeito barbudo que abriu a porta e entrou, consegue visualizá-lo? Lá está Hitler, um ou outro familiar, Mao Tse-Tsung, Bush e o Ronald McDonald. Mas, essa imagem é instantaneamente desfeita com a continuação completamente incoerente da criatura que estava se referindo a Deus; "se não fosse ele, eu morreria". Beleza, querida, sinto lhe informar, mas você acaba de ofender uma penca de pessoas desesperadas e inconformadas por terem perdido parentes ou pessoas queridas. Então, Deus escolhe quem deve viver e quem deve morrer, é? A velha e boa justiça divina. Costumo ser sacana quando jogo Black and White mas tenho a consciência de que aquilo é um jogo, fictício. Agora, Deus? O cara não tem respeito, né?
Sinceramente, não há mais argumentos. O que posso dizer? Graças à Deus que estou vivo? Graças à ele eu poderia estar morto, não é verdade? Então, graças à quem estou vivo? Devo agradecer alguém, fora meus pais biológicos? Talvez não. Estive em um desastre horrível e sobrevivi. Agradeço à Deus. Olho pro meu lado, e tem um morto. E Deus, então?
Eu não sei. Mas falar que "Deus age de maneiras misteriosas" - ou aquele ditado que diz quase isso - é o mesmo que matar um milhão de pessoas e justificar que era pro bem de um bilhão. Cabe à alguém decidir isso? Eu acho que não.
Monsev gostaria de informar que este texto não foi re-lido por ele, tampouco corrigido. Não culpe ele, mas sim Deus pois este é o responsável pelos erros de português e/ou concordância que possam aparecer. Obrigado.
28 de setembro de 2010
Questionando políticos
Sintam medo de mim!
O legal do Twitter, e das eleições no Twitter, é que você pode questionar alguns candidatos a algum cargo. Isso é uma atitude saudável, ainda mais porque eu não tenho NINGUÉM pra votar mesmo. Não é pra encher o saco, mas sim para entender mais sobre a cabeça do cara. Provavelmente continuarei sem esperanças, mas talvez eu consiga descobrir em quem NUNCA votarei, em hipótese alguma, né?
Peguei o caso do @jornal_ja, com toda a história da censura que @rigotto tenta colocar por lá. Pra quem quiser, antes de seguir lendo o post dar uma conferida no que estou falando, dê uma lidinha aqui.
Comecei a questioná-lo sobre a atitude. Para provocar mesmo, para ver o grau de importância e como ele se comportaria perante à verdade sendo exposta ali, na cara dele, através não de um jornalista, nem mesmo um outro candidato, mas apenas um ELEITOR. Um CIDADÃO. É óbvio que ele não ficou muito contente. Lembro que eu tinha falado - quem quiser, procure no meu perfil do twitter, tenho preguiça de ficar lá pegando meus tweets - uma coisa me referindo ao tweet em que Rigotto disse "não pude ir na cidade tal e tal, obrigado pela mobilização". Aí, mandei um açucarado "muitos processos pra lidar? Não consegue mais cumprir agenda?".
Após eu indagar ele sobre isso, ele me respondeu isso.
Ok, ok, era de ser imaginado. Aí, falei para ele que, se ele pensasse assim, não teria feito o processo ao jornal independente Jornal Já, o que pra mim é muito sério - sou completamente a favor quanto à liberdade de imprensa, pois não gostaria de viver numa ditadura, coisa que outras gerações já experimentaram e deixaram avisado para nós que não é algo muito satisfatório. E vamos combinar: liberdade de imprensa, é deixar os jornais independentes falarem. Jornais que pertencem à RBS e tudo mais, claro que devem ter sua liberdade de imprensa, mas são movidos por todas àquelas ideias e mentalidades próprias, tem uma certa necessidade de "estar de bem" com o governo, enfim. Jornais de pequeno porte e tiragem bem pequena, por outro lado, costumam ser mais envolvidos com a "verdade", em relatar fatos e sem essa pré-seleção de "sobre isso falamos, e sobre isso não", estes jamais deveriam ser censurados. Enfim, falei que se ele pensasse o que me falou, não seria contra jornais independentes.
Óbvio que isso não caiu bem para o seu Rigotto, que me surpreendeu com mais um lindo tweet: aqui.
Sinceramente, não entendi quanto à "minha educação". Talvez para alguns políticos, como o Germano Rigotto, expor a verdade sem o auxílio de palavras bonitas seja má educação. Pode ser. Mas é um ponto de vista que eu não compartilho.
Quanto ao embate, óbvio que fiquei triste. Fico triste quando políticos veem que o assunto é delicado demais para suas imagens pomposas que tem a zelar, e pedi pra ele que "por favor", tornássemos aquilo um embate. Seria ótimo! Pra mim, ao menos, esclarecedor. Mas se você é um político "EVIL", como a maioria, imagino que você tenha de fazer uma promessa perante à bíblia que diz algo como "não serei esclarecedor em momento algum de minha candidatura". E é isso.
Aí ok, fiquei sem resposta. Acho que a partir daí, o roteiro do Rigotto não tinha mais linhas. Reclamei mais um pouco e, hoje, quem entrou em contato comigo? Um vereador daqueles que você não fazia ideia que o ser existia na terra: Roberto Fantinel! Seja lá quem for esse cara - além de vereador, jovem e mal informado quanto aos deveres de um político - ele me mandou o seguinte tweet, muito primordial e bonitinho: leia. Será ele um capanga de Rigotto? Sei que me veio à cabeça Adam West lutando contra Coringa e seus capangas. Roberto Fantinel é com certeza um dos capangas, daqueles que são os primeiros a levar uns tabefes.
Sem pestanejar, retweetei o cara. Foi instantâneo. Foi tipo "OPA!". Foi como ver Nutella ser vendido a 1 real no supermercado: você pega e põe no carrinho, na hora, sem pensar na ação. Acompanhado disso, falei à ele algumas várias vezes - e aguardo ansioso a resposta - o seguinte: "@betofantinel aí que você se engana. Eu voto, e eu sou cidadão, ele precisa provar SIM.".
E continuei:
"Segundo o vereador do PMDB, @betofantinel, um político não precisa provar nada que tenha feito à mim. Eu elejo eles. Que me dizem disso?"
"É interessante ver que políticos, como o @betofantinel, acham que não devem explicações à população. Muito bom saber disso."
"@betofantinel se tu tem um cargo público, meu querido, tu me deve explicação de tudo, sinto muito se você não sabia disso antes."
"Comédia o vereador @betofantinel, jovem, mas ainda com muito a aprender sobre política. Desconhece os deveres de um cargo PÚBLICO."
"Olá @rigotto, queria saber se esse comentário de @betofantinelrepresenta bem os teus ideais: http://goo.gl/I2RO."
"Oi @campanha_fogaca, queria saber o posicionamento de vocês quanto a isso que recebi do vereador @betofantinel:http://goo.gl/I2RO."
"e @campanha_fogaca, pra mim, é o suficiente para ter uma certeza: a de não votar em vocês. Esse pensamento é de todo o partido, é? Bonito."
E é isso aí. Resta ver como tudo continuará. Eu, continuarei incomodando. Acho um completo absurdo, e gosto quando caras como o Roberto Fantinel vem e soltam uma pérola dessas, dá pra entender o quanto eles entendem de política.
E PMDB, que feio, caras, que feio.
ATUALIZAÇÃO:
O nosso amigo @betofantinel resolveu me responder!
Foi muito divertida a resposta. Não darei spoilers pois é bem reveladora.
Clique aqui para ler na "íntegra".
Teve uma óbvia - e pequena, pois sou nada influente - repercussão. Você, que está lendo isso e portanto é testemunha do ocorrido, peço um favor: ESPALHE ISSO. Quando um político nos manda à merda por questioná-lo e deixá-lo sem qualquer resposta, temos mais é que divulgar isso, para ninguém votar em alguém que desrespeita àqueles que o elege.
Links interessantes:
http://www.jornalja.com.br/2010/08/31/7287/
http://somosandando.wordpress.com/2010/09/02/jornalista-tem-conta-bloqueada-por-acao-da-familia-rigotto/
http://www.cartacapital.com.br/politica/germano-rigotto-e-a-censura-ao-jornal-ja-do-rs
http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/politica-cia/rs-familia-rigotto-processa-e-sufoca-jornal-que-revelou-escandalo-envolvendo-irmao-de-candidato-ao-senado/
Tchau.
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19 de setembro de 2010
"Como deixar" de ser saudosista babaca e virar um atualizadinho babaca
Essa época as pessoas sabiam o que era bão!
Ok. Então você acha que o mundo hoje só produz conteúdo artístico de merda. Então você acha que os filmes estão ruins, as músicas são péssimas, os jogos estão todos iguais, os livros são todos uma porcaria sobre vampiros. Pensa até mesmo que os jogadores de futebol são um bando de perna-de-pau. Você não está só, e esse é o problema. Aliás, não sou eu que concordo com você.
Quero dizer, tem essa mania, né? A velha coisa do "antigamente era melhor", que já rendeu um post aqui no blog, e inúmeras reclamações na minha vida. Só que vou te explicar o que é isso: é uma ilusão. É um truquezinho causado por alguma coisa, que eu não sei o que é, que causa isso. É uma aliança de nostalgia doentia com a facilidade de separar o joio do trigo de antigamente. Quero dizer, se você olha pra 1960, o joio e o trigo já estão lá separados. Você sabe já quem era bom, e quem era ruim. Os bons se eternizaram, e refletem no mundo de hoje. Então aí você vê por aí Rolling Stones, Beatles, The Who (isso pra falar só em música), e pensa que naquela época é que o negócio era bom, e que hoje é todo mundo sem talento. Mas, calma. Os artistas mais populares DA ÉPOCA (e consequentemente mais esquecidos), foram extintos. Eles sumiram, pois eram populares, NAQUELA ÉPOCA (e sei que os Beatles eram os mais populares em fama, mas digo dos carinhas que apareceram UM ANO, estouraram e óbvio que sumiram logo depois: eles não eram BONS, eles eram POPULARES apenas, entende?).
Você acha que quando o Felipe Dylon morrer, ele será lembrado? Não digo no dia da MORTE dele, pois isso os jornais sempre fazem questão de dizer. Mas se ele VIVO já está meio sumidão - e quando aparece, é pra criar uma profunda sensação de vergonha alheia - imagina essa criatura morta? É assim que funciona. Hoje em dia tem tanta gente - ou talvez até mais - boa do que antes. O problema é que o mundo está "nichado", o mundo está mais diversificado. Agora não é mais comunista vs capitalista. Não é mais cultura vs contracultura. Tem um bando de detalhe no meio disso. Tem o cara que é o meio termo. Tem o cara que consegue de algum modo ser NENHUM dos dois. Tem o cara que é ignorante. Tem o cara que é alienado. Tem o cara que gosta de absolutamente tudo. Tem o cara que gosta de algo pra ganhar dinheiro. Tem o cara que conhece as coisas pela internet, o que conhece pelo jornal, o que conhece pela TV, o que conhece pela rádio e o que fica fuçando perfis no orkut e consequentemente não conhece nada. Tem de tudo.
A verdade nunca foi única, portanto ditar os gostos também não (apesar de eu gostar muito de fazer isso, admito). Mas, mais do que nunca, essas inúmeras verdades estão expostas. Um imbecil como eu pode fazer um blog pra ficar escrevendo sobre a opinião de merda dele, e meia dúzia de pessoas irão ler o texto - e não comentar nada, o que deixará o imbecil, infeliz. Aceite que as coisas não são piores hoje, mas você que não procura mais direito. Temos a mania de nos saciar se algo já nos satisfez, e isso não está errado. Mas se torna um ato idiota, caso você já esteja saciado e fique justificando a sua preguiça de abrir os horizontes com um argumento falho de que "é porque hoje tudo é ruim". Não é. Eu não aguento mais ver um bando de músico britânico sendo criado, de fato. Quero dizer, tem uma explosão artística muito maior, porque é como foi falado: é bem mais fácil de expor seu trabalho. Mas isso não significa que, de vez em quando, eu não me encante com algo novo. Isso acontece, e isso é bem recorrente.
Tem muitas coisas legais para descobrir por aí. Tanto do passado, que muitos não conhecem ainda - como eu - mas como do presente, que algumas pessoas extremamente conservadoras se recusam a descobrir. Largue um pouco Black Sabbath e vá ver o que tem de novo. Depois, volte a ouvir Black Sabbath. Você provavelmente descobrirá caras que gostavam muito de alguns discos do Black Sabbath e de, sei lá, T-Rex, uniram isso tudo e fizeram uma banda bacana. Gosta de Beatles? Vá ouvir Olivia Tremor Control e descubra que eles são muito mais parecidos com Beatles do que o Oasis, que acham que são o próprio. Até porque o Olivia Tremor Control se assemelha com a fase boa e psicodélica dos Beatles.
Não fique preso ao cinema dos anos 60, 70 e 80 que produziu MUITA coisa foda. Porque hoje mesmo, caras como você, que gostam tanto de cineastas que estiveram nessas gerações antigas, se tornaram profissionais da área e colocam incansáveis referências que você fará questão de virar pro lado e dizer com uma cara de bobalhão "isso aí vem do Janela Indiscreta, foda!".
Vá comprar o Scott Pilgrim na PSN ou no Xbox Live Arcade e veja que hoje ainda tem espaço para beat n' ups IGUAIS - e MELHORADOS - aos do Mega e do SNES. Ou, compre o Braid e veja que ele poderia ter feito na era de 16 bits e encataria tanto quanto encanta hoje.
Enfim, tem muita coisa boa hoje sim. O primeiro passo é parar de ficar negando isso. O segundo passo e terminar de ler esse post que já está longo demais. O terceiro passo é ter um dinheirinho e tempo. Mas, o quarto passo é o mais importante: deixar de ser um saudosista ignorante. Seja saudosista, mas não um dinossauro. Conheça o novo também, mesmo preferindo o antigo, por favor.
Boa tarde e boa comemoração da
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10 de setembro de 2010
Novo conto: "Bob".
Séculos sem atualizar, apareço aqui apenas para deixar um novo conto que escrevi. Aliás, parte dele, coloco o link para o conto integral que está lá no "O Nerd Escritor", já que não quero enfiar aqui nesse blog um bloco de texto assustadoramente desproporcional aos outros.
PS: por que diabos o blogger marca "desproporcional" como ERRADO?! Não está errado, caceta!
PS: por que diabos o blogger marca "desproporcional" como ERRADO?! Não está errado, caceta!
Não havia como descrever Triângulo: ao contrário do significado que seu nome indicava, ele não possuía três lados. Acima disso, ele não era uma imagem em que poderia ser descrita como um desenho de duas dimensões: ele era um cubo. Um cubo em uma prateleira empoeirada. Mas, Triângulo era um nome complicado para todos aqueles que tivessem alguma característica peculiar na fala; língua presa, fanho, e afins. “Triângulo”, comprido e complexo demais para se nomear alguém assim. Por isso, ele era conhecido como Bob, simplesmente Bob.
Bob era um cubo mágico, trancafiado em uma sala cheia de outros cubos mágicos. Lá, haviam todos os tipos de cubo mágico que a criativa mente humana já fora capaz de inventar: incluindo cubos mágicos que não eram cubos. Eles todos eram organizados em prateleiras de um grande armário, com a distância milimétricamente calculada entre uma e a outra, em uma relação vertical. Típico de todos aqueles amantes da ciência: os cálculos tinham de ser perfeitos, e a arquitetura do armário não poderia ser diferente. Esse era o exato problema de Bob, e era também o motivo dele estar sempre sozinho, na prateleira mais alta, atrás de livros de auto-ajuda que o dono do armário ganhara em uma livraria como uma jogada de marketing para ajudar a desencalhar aquele estoque praticamente imutável. Por algum motivo estranho, livros de auto-ajuda não vendiam. Cá entre nós, não que isso fosse um problema. Mas o problema é que Bob sabia o que isso significava: estar na prateleira mais de cima, empoeirada, com livros de auto-ajuda, em um armário pertencente a um amante da matemática e ciências exatas, em que perguntas são respondidas precisamente com respostas baseadas em cálculos e fórmulas, só podia ser resumido em uma palavra: solidão.
Achei teu conto uma merda, um pé no saco. [então aperte alt + f4, queridão/queridona].
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